Ao invés de ficar pelos cantos
dia após dia, aos prantos
eu pego os meus desencantos
e transformo em
rima
porque as lágrimas secam
mas as palavras ninguém me tira
porque alegrias me completam
mas a tristeza me
inspira
terça-feira, 20 de maio de 2014
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Meu Coração
A vida te arrancou pedaços
e você diz que já foi melhor
Mas, querida, acredite
não faz a menor diferença
No Eça
no Drummond
nos biscoitos de maizena
nos bordados
no Pão de Açúcar
e nas coisas que você já não mais lembra
Em mim você é a mesma
Em mim nada te apaga
Em mim você é inteira
Em mim você é eterna
e você diz que já foi melhor
Mas, querida, acredite
não faz a menor diferença
No Eça
no Drummond
nos biscoitos de maizena
nos bordados
no Pão de Açúcar
e nas coisas que você já não mais lembra
Em mim você é a mesma
Em mim nada te apaga
Em mim você é inteira
Em mim você é eterna
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Valor
- E então?
- Ah, sim... Qual era a pergunta mesmo?
- Qual foi a coisa mais valiosa que você já perdeu?
- Hum. A coisa mais valiosa... - Sentiu o vento morno de janeiro bater em seu rosto. Ajeitou a franja remexida pelo vento e acendeu um cigarro - Perdi um envelope com 200 reais uma vez.
- Só isso?
- Como assim 'só isso'? 200 reais é bastante coisa!
- Mas como isso é a coisa de maior valor que você perdeu? Pensa direito.
Deu uma tragada. Enquanto olhava o sol se pôr no horizonte alaranjado e poluído, começou a divagar por todas as coisas que um dia perdeu. As roupas de boneca, as figurinhas, os livros, as fotos, os trocos, as tampas de caneta, as tarraxas de brinco, as consultas médicas, as sessões de cinema, as aulas, os vôos... A sensação era de que tudo que ela perdera ao longo da vida se juntava no infinito formando um grande depósito. Talvez o depósito fosse a lembrança. Ou a saudade. Ou o arrependimento. De repente se viu tomada por uma melancolia. Sentiu sua boca ressecar. Deu mais uma longa tragada. Tentou mensurar o valor do que já perdeu. Decidiu descartar tudo que era material. Mas não facilitou muita coisa.Os amores, as palavras, as horas. Ah, as horas. Se tempo não foi as coisa mais valiosa, certamente foi a que mais perdeu. Perdeu tempo no banho. Perdeu tempo no trânsito. Perdeu tempo de sono. Por tristeza. Por felicidade. Por ansiedade. Sem ter porque.Tragou. Talvez a perda mais valiosa fosse a que lhe trouxe maior remorso. Talvez o maior remorso viesse através da culpa. De pronto descartou qualquer morte. "Me dói a morte de quem amei, mas não os matei" pensou. Se surpreendeu com a própria postura fria, mas não ligou. Era a verdade. Pra que fingir? Já fingia tanto pra tantos. Se deu o presente da sinceridade consigo mesma. E reparou que era a primeira vez em anos. Talvez fosse essa a maior perda. A... Sinceridade? Não, ela sabia que não a havia perdido. Apenas deixado de lado. Só não conseguia lembrar o motivo. Como tantas outras coisas que ela se via fazer, mas não gostava. De repente sua reflexão foi interrompida.
- Afinal... Já pensou?
Não sabia se já estava pensando há muito tempo ou se sua amiga era impaciente demais. Ao que tudo indicava esse não era seu primeiro cigarro. Olhou para o chão e encontrou 3 guimbas. Não sabia mais porque fumava tanto. Nem porque era incapaz de jogar as guimbas no lixo.Ou parar de fumar. Quando viu que estava divagando de novo, se deu por vencida e tragou uma última vez. "Imagine só" lamentou "Nem eu me entendo mais".
E então teve a epifania.
- A coisa mais valiosa que já perdi... Foi eu mesma.
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